quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Noite quente

A música doce e sexy corta a noite entre taças de vinho e poesias. Tudo fora do lugar, as roupas jogadas sobre a cama, vazia. Na televisão, o filme insiste em continuar, desperdiçando seu roteiro. Cenas mudas de uma história sem graça. Não há palavras no ar, apenas a guitarra chorosa enche a atmosfera de sensualidade e calor.

Os sapatos de salto e a gravata denunciam a noitada anterior. E agora jazem sem importância sobre a cama, confidenciando segredos de Estado. O livro de poesia, ainda aberto na última página lida. 'e as palavras difíceis que sempre tive medo de dizer podem agora ser ditas: eu te amo'.

No tapete, os corpos ainda estão próximos, quentes e ofegantes. Ele, olhos no teto, nenhuma expressão. Ela, flor na mão. A cor da tulipa lembra sua paixão, a Holanda, e a próxima viagem louca que deve fazer. Na mão esquerda dele, reluz o arco dourado. Na dela, nada. Apenas a flor que tanto admira. Nas costas, a marca dele. Pode ficar ali por dias, mas sabe que logo ele irá embora.

Hora de investir para o lado dele novamente.

E a música segue seu lamento sexy na vitrola.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Conversa muda em uma noite primaveril.

Não sei se foram teus olhos, teus olhares ou o teu meio sorriso.
Mas aí está teu charme, teu mistério, a me olhar do outro lado do café.
Esse sorriso convidativo, de quem percebe que é percebido.
São tuas mãos mexendo na xícara que me fazem tirar os olhos do caderno.
Clic.
Um instante que guardo na memória.
Nunca vi olhar tão profundo e tão misterioso.
Espero meu cappuccino, tu segues no teu café.
Ensaio um sorriso, só para ver teu meio sorriso mais uma vez.
Clic.
Outro instante para a memória. Esses olhos que me deixam louca.
Tiras um cigarro da carteira e ameaça acender.
Nem mesmo a visão por trás da fumaça, por sob os cachos torna teus olhos menos brilhantes.

Posso ficar horas aqui a descrever a maneira como me olhas, como me fascinas.
Ou posso levantar-me e tornar essa conversa mais próxima.

Oi, posso sentar aqui contigo?
Claro, fica a vontade.

Da conversa para a troca de risos.
Da troca de risos para um passeio noturno pelo centro da cidade.
Do passeio para a cama.
Da cama para o cigarro.
E de volta para o café.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Singela homenagem...

Ao maior fotógrafo do rock 'n roll, minha singela homenagem, por seus quase 50 anos de carreira...


Johnny flipping the bird at San Quentin Prison, 1969.

"Contrary to popular belief, John has never been in prison. I think he got busted once for being drunk or something when he was a kid - I don't know and it's none of my business - but he's never been in jail. I've known John since 1962, and I forget why he flipped the bird in this picture. It might have been directed at the television crew who was filming there, or I might have suggested doing a special shot for the warden, but for whatever reason, this has become a very famous, iconic picture. His record company is still using it. It shows John's individuality, but the gesture was definitely done in jest. John's got a great sense of humor and this was not a serious shot." — Jim Marshall



Vai fazer falta, sem dúvidas...


Jim Marshall
February 3, 1936—March 24, 2010